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Geração à Esquerda

Geração à Esquerda

Porque é que um melhor acesso ao Banco Privado de Células Estaminais devia ser uma preocupação da esquerda?

Hoje em dia muitos Bancos Privados de células estaminais têm vindo a desenvolver campanhas de publicidade muito eficientes sobre os benefícios da criopreservação das células estaminais. Neste artigo não pretendo pôr em causa esses benefícios e a relevância das mesmas, mas sim a actuação desses Bancos Privados e a sua competência.

 

Vamos por partes. O que são as células estaminais? As células estaminais são células indiferenciadas (que ainda não possuem uma especialização funcional) e que, por isso, podem gerar diversos tipos celulares que constituem um organismo e por isso permitem a reparação de tecidos danificados, a substituição das células que vão morrendo, e o tratamento de diversas doenças. Estas podem vir do próprio (transplante autólogo) ou de um dador compatível (transplante alogénico). Um dador compatível não são apenas os membros da nossa família. Por isso, mais ou menos como acontece com o nosso sangue, poderíamos encontrar diversos dadores compatíveis num banco público.

 

Porque é que os Bancos Privados não funcionam?

 

A probabilidade de um dador beneficiar de uma amostra recolhida aquando o seu nascimento (transplante autólogo) depende de muitos factores mas calcula-se que seja inferior a 0,1%. Isto acontece por dois motivos:

  • Porque o sangue pelo cordão umbilical não contem células estaminais suficientes para o tratamento na maior parte dos casos.
  • Porque as doenças para as quais as células estaminais podem ajudar no tratamento podem-se revelar-se praticamente em qualquer altura da nossa vida mas, actualmente, as células estaminais só podem ser preservadas entre 15 a 20 anos, o que faz com que o transplante autólogo só seja viável por esse período de tempo.

 

Ainda está a ser estudado o facto de que algumas das condições médicas para quais as células estaminais podem ajudar no tratamento já estejam presentes nas células estaminais retiradas do cordão umbilical doado enquanto criança, tornando o transplante autólogo inútil. Nesse caso, apenas as células de outro dador compatível poderiam ajudar no tratamento dessa condição médica.

 

Isto já para não referir que ao contrário dos Bancos Públicos, em que as células recolhidas são testadas e apenas as que estão em boas condições são criopreservadas (as outras são usadas para investigação), nos Bancos Privados podemos estar a pagar anos por células não viáveis.

 

Porque é que os Bancos Públicos são precisos e a Esquerda deve lutar por eles?

 

Principio base: Se houver muitas dádivas e colheitas, a probabilidade de todos os doentes beneficiarem do Banco e conseguirem um transplante compatível aumenta e o benefício é maior para todos.

 

Actualmente o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) tem a tutela do único Banco Público em Portugal: o Lusocord. O Lusocord funciona no Centro de Histocompatibilidade do Norte (CHN). O IPST tem parcerias com o Hospital de S. João, a Maternidade Júlio Dinis e Hospital Pedro Hispano, todos no Porto.

 

Entre 2009 e 2012 foram recolhidas 28.416 unidades de sangue do cordão umbilical, das quais apenas 8.441 foram criopreservadas por motivos de controlo de qualidade. No entanto, em 2012, o Lusocord suspendeu brevemente a recolha de células estaminais devido a terem sido encontradas “irregularidades” no seu funcionamento. Desde então que o funcionamento do Lusocord é quase um mistério. Não é possível encontrar quase nenhuma informação sobre o Lusocord após 2012, e é ainda posto em causa o efectivo registo das células que foram recolhidas antes do IPST ter ficado com a tutela do Banco. Desde então, entre 2013 e 2014 o Banco Público apenas criopreservou 82 unidades, bastante abaixo do seu objectivo, que é de um mínimo de 600 unidades/ano, objectivo esse obrigatório para conseguir acreditação internacional em 2016 e uma diversidade genética adequada à população nacional. Mas para além de um aumento dos controlos de qualidade, a falta de investimento público é considerado o principal problema. É estimado que terão sido investidos no Banco Público seis milhões de euros entre 2009 e 2012, mas que, desde então, o orçamento que o Estado disponibiliza tem vindo a diminuir e o dinheiro que é efectivamente recebido é ainda menos.

 

Para além de todas as vantagens já referidas que um Banco Público tem a nível de saúde, é importante denotar que este tem também uma missão a nível social e democrática. A doação de células estaminais para um Banco Público é gratuito para o dador, é uma contribuição para o bem comum, é o promover não só da minha saúde como da saúde do mundo (uma vez que os registos são internacionais). São, pois, os princípios da igualdade, solidariedade e fraternidade que justificam a existência de um Banco Público de células estaminais.

 

 

 

 

Colaboradores

Ana Sofia Santos

Carlota Borges

Carolina Correia

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Diogo Amaral

Filipe Barroso

Filipe Fernandes

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Geração à Esquerda

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