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Geração à Esquerda

Geração à Esquerda

Sobre as "Engraçadinhas"

Quem leu o meu último artigo neste blog , “Os Cartazes de Marisa”, e estiver a ler este post também, poderá ficar com a ideia de que eu sou uma “bloquista fanática” que não pode ficar calada quando falam mal da sua candidata. Ora, digo já, que não sou nem “bloquista”, nem “fanática”, e certamente não considero a Marisa Matias ou as mulheres do Bloco de Esquerda inimputáveis de todo, mas a minha veia feminista falou mais alto quando ouvi o discurso de Jerónimo de Sousa na noite eleitoral, por isso, aqui vai:

 

Na noite do passado domingo em que foram realizadas as eleições presidenciais, o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, referiu que uma possível solução que não iria abraçar para aumentar o seu número de votos seria “... arranjar uma candidata mais engraçadinha e com um discurso mais populista...”. Depois disso já veio dizer que retirava o que disse na noite eleitoral sobre esse assunto caso alguém no BE tenha "enfiado a carapuça".

 

Vou já “pôr os pontos nos i’s”: se tivesse havido um candidato do género masculino, novo, giro, sexy, (o que quiserem chamar), não teria havido certamente um comentário sobre o “candidato engraçadinho”. Este foi pura e simplesmente um comentário sexista que teve como objetivo desvalorizar a posição das mulheres na política, dando a entender que qualquer bom resultado atingido por estas é resultado da sua beleza física.

 

Em segundo lugar, isto de “enfiar a carapuça” é uma infantilidade de quem não sabe reconhecer os seus erros e assumir responsabilidades com um simples “desculpa”. E não digo um “desculpa” a Marisa Matias ou a quem quer que seja que esteja que carapuça enfiada, mas sim um “desculpa” a todas as “engraçadinhas” que estão na política a tentar fazer valer as suas opiniões e posições políticas baseando-se na sua riqueza intelectual e não na sua beleza física.

 

Por fim, conheço muito boa gente que votou Marisa Matias e que, ao ouvir este comentário de Jerónimo de Sousa, esfregou as mãos de alegria. Se calhar ainda estamos longe desse dia, mas esta boa votação de Marisa Matias poderá ser o primeiro passo para que no futuro haja uma “engraçadinha” (independentemente do partido político) que seja eleita Presidente da República.

 

                                                                                                 Ana Sofia Santos (até um bocadinho "engraçadinha")

 

Eleições Presidenciais - Pedagogia precisa-se ou como o Candidato Vieira até faz alguma falta.

 

Confesso que sou um eleitor pouco interessado nas presentes eleições presidenciais. Apesar do desinteresse, tenho feito os possíveis para tentar seguir a enxurrada de debates, entrevistas e notícias sobre as diversas campanhas dos candidatos ao cargo de chefe de Estado do nosso País, ou seja, tenho tentado estar informado sobre o que se tem passado. Do marasmo que tem sido esta campanha há, necessariamente, que salientar a boa prestação de Sampaio da Nóvoa, o qual, após o debate com Marcelo Rebelo de Sousa, tem demonstrado algum conteúdo político e que é capaz de disputar as presentes eleições, revelando-se uma agradável surpresa. Além de Sampaio da Nóvoa, merece ainda referência Marisa Matias, que com um discurso bem medido e diversificado, tem sido uma voz diferente nesta campanha, salientando a quase veia pedagógica que tem demonstrado para explicar o papel e poderes que um Presidente da República tem.

 

Ora, é a pedagogia de Marisa Matias que tem sido deveras curiosa, pois poderíamos pensar que andar a explicar constantemente o que um chefe de Estado pode e não pode fazer, em contraponto com alguns candidatos que confundem os poderes do Presidente da República com a função executiva de um Governo, seria algo desnecessário mas ao invés disso somos confrontados com a dura realidade do desconhecimento profundo do papel do Presidente da República no Estado de Direito em que vivemos. O afastamento dos portugueses da política, o desinteresse dos mais jovens em quase tudo o que diga respeito á acção política no seu todo, a fraca prestação de Aníbal Cavaco Silva, que pouco dignificou a função que ocupou, são factores que contribuem em muito para que hoje, uma boa parte da população portuguesa quais as prerrogativas constitucionais da função de Presidente da República, a sua importância e impacto na vida do cidadão comum.  Ora, ainda esta semana, de forma surpreendente e com uma boa dose de humor e crítica mordaz, no espaço “Templo de Antena” da TSF o Candidato Vieira (ou Manuel João Vieira, cantautor conhecido por liderar os colectivos “Ena Pá 2000” e “Irmãos Catita”) brinca com o patente desconhecimento dos portugueses sobre quais as funções e poderes do mais alto dignatário do Estado português sendo que com a referida crítica também é capaz de esclarecer quais as funções e poderes do Presidente da República. Apesar do tom jocoso que utiliza, o Candidato Vieira explica que o Presidente da República nãos serve apenas para conceder uns quantos indultos no Natal, ou para atribuir ordens honoríficas a cidadãos de distinta reputação e impacto social, nem tão pouco para ser um viajante do mundo, o candidato Vieira explica que o Presidente da República tem efectivo poder de decisão, de intervenção e que pode e deve ser o fiel da balança no jogo democrático (atentem que tal se lê nas entrelinhas do humor de João Manuel Vieira).

 

Toda esta situação acima mencionada leva-me a reflectir sobre uma proposta de Pedro Delgado Alves dos tempos de Secretário-Geral da Juventude Socialista, relativa á integração nos planos de estudo no Ensino Básico e/ou Secundário de uma disciplina que versasse sobre o funcionamento das instituições democráticas, clarificando os seus papéis, a sua importância e acima de tudo, o seu funcionamento enquanto pilares do Estado de Direito democrático. Pese embora a pouca importância que se dá a este tema, urge repensar as estratégias de captação de interesse das pessoas, designadamente, dos jovens, para que a democracia em Portugal não se deixe apagar e para que a decisão não fique nas mãos de um par de iluminados que controlam as regras do jogo a seu belo prazer. Esperemos que daqui a 5 anos já não seja necessário andar a explicar ás pessoas o que é e o que faz o Presidente da República.

QUATRO FERIADOS: CUSTOS E PROVEITOS

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Depois dos governantes do anterior governo tirarem do calendário dias comemorativos, civis e religiosos, voltam a restituir-se os feriados aos portugueses.

A data prevista para a reposição era o ano de 2017, mas, em boa verdade, todos os portugueses desejavam estes feriados e o governo, tal como prometeu em campanha e colocou no seu programa, antecipou-se e traz a esperança que todos ansiavam.

Foi em 2012 que se aboliram feriados, desprezou-se a cultura e a história e se ignorou datas marcantes na comunidade, alterando ritmos e tradições. O pretexto foi a crise e o aumento da produtividade, algo que não se prova que seja verdade, dividindo economistas e deixando os políticos em ambiguidade na decisão.

Dois dos feriados repostos são civis, o “5 de Outubro”, que assinala a Implantação da República e o 1º de dezembro, Dia da Restauração da Independência.  Os outros dois são religiosos, o “Corpo de Deus”, feriado móvel, e o de “Todos os Santos” a 1 de novembro.

Mas várias dúvidas surgem, levantando-se muitas questões que deixam todos assustados. Qual é o impacto na economia com a reposição dos feriados?

A opinião dos economistas não é de alarme. Afirmam que a produção pode diminuir, mas a produtividade não sai necessariamente prejudicada. Ora, significa que não é com o aumento dos dias de trabalho que se aumenta a produtividade, diminuindo também a produção global. Pelo contrário, a produtividade pode até sair diminuída, com menos capacidades cognitivas e físicas e menos motivação dos trabalhadores. As pessoas não devem ser tratadas apenas como números! Devemos olhar para todos como Seres Humanos e foi isso que este governo fez.

Além disso, é preciso contar com os gastos que os portugueses fazem com o turismo, com o lazer e com as compras em dias de feriado e fins de semana prolongado. Alguma razão deve existir para que os grandes empresários defendam menos horas de trabalho por dia. Talvez já tenham descoberto que a produtividade depende do bem estar dos seus trabalhadores.

Num olhar mais global podemos até verificar que outros países europeus têm tantos ou mais feriados que Portugal: Suécia, Eslováquia e Chipre com 15 feriados. Malta, Bulgária e Letónia com 14. Áustria, Grécia e Croácia têm 13.

Portugal terá exatamente 13.

Parece-me justo que se cumpra o prometido e não fazer do temporário e provisório algo que se consolide para sempre. Por isso os governantes estão de parabéns!

 

Filipe Fernandes

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